Orçamento base zero na PME: o guia de 2027
Com juro alto e crescimento em queda, o orçamento de 2027 pede outra conta. Veja o orçamento base zero em 4 passos para PME, ligado aos objetivos.
Setembro é quando o orçamento do ano seguinte nasce. Em muitas PMEs, ele nasce do mesmo jeito: alguém abre a planilha de 2026, soma alguns por cento em cada linha e chama o resultado de orçamento de 2027.
O método é rápido, mas ele carrega um problema. Toda despesa que existia continua existindo, só que maior. A assinatura que ninguém usa, o fornecedor que ninguém renegociou e a campanha que não trouxe cliente entram de novo, sem que ninguém pergunte se ainda fazem sentido.
Em 2026 esse hábito custa mais caro que de costume.
Por que o orçamento de 2027 pede outra conta
Os indicadores de setembro de 2026 apontam na mesma direção:
| Indicador | Número | Fonte e data |
|---|---|---|
| Selic | 13,75% ao ano | Copom, 16 de setembro de 2026 |
| Selic esperada para o fim de 2026 | 13,50% | Boletim Focus, 21 de setembro de 2026 |
| Inflação (IPCA) esperada para 2026 | 4,92% | Boletim Focus, 21 de setembro de 2026 |
| Crescimento do PIB em 2026 | 1,8% (antes, 2,0%) | Banco Central, 24 de setembro de 2026 |
| Crescimento do PIB em 2027 | 1,4% | Banco Central, 24 de setembro de 2026 |
| Crescimento do PIB em 2026, pela Fazenda | 2,0% (antes, 2,3%) | Ministério da Fazenda, 22 de setembro de 2026 |
Números de 24 de setembro de 2026. Confira as fontes antes de usar em uma decisão: eles mudam a cada boletim.
Juntos, os números descrevem três coisas. O crescimento desacelera, então a receita de 2027 tende a crescer menos do que o plano otimista supõe. O juro segue alto, então cada real gasto sem motivo deixa de abater dívida cara ou de render aplicado. E a inflação ainda está acima do centro da meta do Banco Central, então fornecedores vão pedir reajuste.
O governo federal passa pela mesma conta. Em 24 de setembro, ele manteve R$ 16,1 bilhões contidos no Orçamento de 2026 porque a despesa não cabe na receita. Na empresa, o método para fazer isso de forma organizada tem nome: orçamento base zero.
O que é o orçamento base zero
O orçamento base zero (OBZ) parte de uma regra simples: nenhuma despesa é automática. Em vez de perguntar "quanto gastamos no ano passado?", ele pergunta, linha por linha: "isso ainda precisa existir para o que queremos no ano que vem?"
O método foi descrito por Peter Pyhrr, da Texas Instruments, em um artigo da Harvard Business Review em 1970. Décadas depois, ficou conhecido pelo uso em grandes grupos, como os controlados pela 3G Capital. Por causa disso, muita gente associa o OBZ a corte agressivo em multinacional.
Na PME, o método pode ser bem menor e servir a outro propósito. O ponto não é cortar tudo. É decidir para onde o dinheiro vai, com um motivo escrito para cada linha.
Orçamento base zero enxuto em 4 passos
1. Agrupe as despesas em poucos pacotes
Separe o gasto do ano em 4 a 8 pacotes que façam sentido para a sua empresa. Por exemplo: comercial, marketing, operação, pessoas, administrativo, e software e tecnologia. Cada pacote tem um responsável, que vai justificar as linhas dele.
2. Justifique cada linha com um motivo e uma unidade
Para cada despesa, escreva duas coisas:
- O que faz a despesa crescer ou cair. Frete cresce com o número de pedidos. Comissão cresce com a receita. Mídia cresce com o número de clientes que você quer atrair.
- Uma frase de justificativa. "Mantém a entrega em 2 dias, que é o motivo nº 1 de recompra" é justificativa. "Sempre tivemos" não é.
Com esses dois itens, a conta do ano deixa de ser um chute. Ela vira quantidade vezes custo por unidade, e fica fácil ver o que muda se a quantidade mudar.
3. Decida o destino de cada linha
Cada despesa recebe uma de quatro decisões:
| Decisão | Quando usar |
|---|---|
| Manter | A linha sustenta a prioridade e o custo por unidade está bom |
| Reduzir | A linha é útil, mas o volume ou o preço podem cair |
| Eliminar | Ninguém consegue escrever uma justificativa que convença |
| Substituir | A necessidade existe, mas outro fornecedor ou outro jeito resolve melhor |
Um bom lugar para começar é a lista de assinaturas de software. É comum encontrar duas ferramentas que fazem a mesma coisa, ou licenças pagas para pessoas que já saíram da empresa.
4. Congele o aprovado e acompanhe todo mês
Depois das decisões, o orçamento fica fechado. Todo mês, compare o previsto com o realizado em cada pacote. Quando uma linha desviar, o responsável explica o motivo e propõe o ajuste.
A parte difícil não é a planilha
O risco do orçamento base zero não está no dia da planilha. Está nos meses seguintes.
Imagine uma decisão tomada em setembro: "vamos parar de patrocinar o evento X e cancelar a ferramenta Y". Em março, o vendedor pede o evento de volta porque "o cliente grande vai estar lá". Alguém renova a ferramenta porque o cancelamento dava trabalho. Nenhuma das exceções é absurda sozinha. Somadas, elas devolvem o orçamento para o ponto de partida.
Isso acontece porque a decisão de cortar ficou registrada numa planilha que ninguém abre, e não num objetivo que a equipe acompanha. É o mesmo problema de todo plano que diz o que alcançar e não diz o que deixar de fazer.
Do orçamento ao objetivo: onde entram OKR e indicadores
O orçamento base zero e o planejamento por objetivos respondem à mesma pergunta por dois lados:
- O objetivo diz onde a empresa quer chegar em 2027.
- O orçamento base zero diz o que para de receber dinheiro para isso acontecer.
- O indicador semanal mostra se a escolha está se pagando.
Na prática, isso vira três passos.
Primeiro, escreva a prioridade antes de abrir a planilha. Sem uma prioridade escrita, cada responsável defende o próprio pacote e o orçamento vira negociação. Com ela, cada linha tem um critério: ajuda ou não a chegar lá?
Segundo, transforme as decisões grandes em resultados-chave. Um resultado-chave (KR) é um número com prazo que mostra se o objetivo está avançando. Algumas decisões do orçamento base zero viram KR diretamente:
- Gasto mensal com software de R$ 4.800 para R$ 3.600 até 31 de dezembro.
- Custo de frete por pedido de R$ 32 para R$ 26 até 31 de março.
- Custo por cliente novo em mídia paga de R$ 410 para R$ 300 no primeiro trimestre.
Os valores acima são exemplos para mostrar o formato, não referências de mercado.
Terceiro, acompanhe esses KRs toda semana, não só no fechamento do mês. O fechamento mostra o desvio quando ele já aconteceu. O acompanhamento semanal mostra a renovação automática antes que ela seja cobrada. Se você quer entender como indicador e KR convivem, veja a diferença entre OKR e KPI.
Um roteiro para o fim de 2026
| Quando | O que fazer |
|---|---|
| Até outubro | Escrever a prioridade de 2027 e o que fica de lado para ela avançar. Listar todas as despesas recorrentes, com contrato e data de renovação |
| Até novembro | Montar os pacotes, justificar cada linha e decidir manter, reduzir, eliminar ou substituir |
| Até dezembro | Cancelar e renegociar antes das renovações de janeiro. Transformar as decisões grandes em KRs com responsável |
| A partir de janeiro | Acompanhar os KRs toda semana e comparar previsto com realizado todo mês |
Como o StayAlign entra nessa rotina
O StayAlign não faz o orçamento. Ele cuida da parte que costuma falhar em março: manter a escolha viva durante o ano.
No plano de 90 dias, o StayAlign pergunta a única coisa que precisa avançar no ciclo. Um campo opcional pergunta o que fica de lado para ela avançar. Os KRs do plano, inclusive os de custo, recebem um responsável. Toda semana, o StayAlign pede o check-in desse responsável pelo WhatsApp ou pelo e-mail, e ele responde ali mesmo. Cada KR também pode ter um plano de ação no formato 5W2H, que inclui o campo "quanto custa".
A decisão do orçamento continua sendo sua. O que o StayAlign faz é deixar essa decisão no mesmo lugar em que a equipe acompanha o resultado, e não numa planilha fechada desde setembro.